Iniciativas de transformação digital ocorreram de forma crescente nos últimos anos. Para 2020, as tendências apontavam para uma mudança de discurso de modo que os líderes digitais pudessem entender quais tecnologias já estão disponíveis no mercado com um grau passível de utilização para, então, planejarem a jornada de transformação digital de maneira estruturada e adequada à estratégia de suas organizações.

Entretanto, diante do novo contexto imposto pela pandemia do COVID-19, o senso de urgência para adoção de iniciativas digitais gerou um movimento jamais visto para o emprego de tecnologias nos processos organizacionais, segundo artigo da MCKinsey (From surviving to thriving: Reimagining the post-COVID-19 return, 2020). Com isso, empresas que não estavam preparadas para o processo de transformação precisaram se adaptar rapidamente para manterem suas operações.

Essa aceleração, de acordo com um estudo da Gartner (Lack of Skills Threatens Digital Transformation, 2020), mostrou o despreparo das organizações na viabilização de tecnologias por ausência de habilidades e competências necessárias. Reforçando, portanto, que a utilização desenfreada de tecnologias não garante o sucesso da consolidação da transformação digital em uma organização.

É necessário considerar o estado atual da TI no que se refere a tecnologias, competências e investimentos, sendo importante que o processo de transformação esteja atrelado à estratégia organizacional. O grande desafio de relacionar a transformação e a estratégia é motivado, principalmente, pelo cenário atual que ainda está longe da normalidade anterior e repleto de incertezas. Afinal, como as empresas devem se preparar, a partir de agora, para as transformações do mercado?

Visto que a área de Tecnologia da Informação é a propulsora da transformação digital nas organizações, recomendamos a revisão do Planejamento Estratégico de TI (PETI) como um importante passo para readequação das prioridades frente ao novo cenário vivenciado.

Revisão do Planejamento Estratégico de TI na Prática:

O PETI consiste no desdobramento das metas de negócio em metas e prioridades de tecnologia, definindo princípios de arquitetura, orçamento, uso de recursos, governança e estabelecendo os fundamentos para a evolução tecnológica da organização.

Com o excesso de informações e disponibilidade de novas tecnologias, é necessário que a área de TI possua um foco a ser seguido e reestabeleça prioridades. A partir da revisão do PETI, portanto, serão direcionados os principais focos de investimentos da TI para manutenção e viabilização das iniciativas de transformação digital.

Listamos abaixo as principais macro etapas aplicadas em um de nossos projetos de consultoria para revisão do PETI:

revisão do peti

Fonte: Bridge & Co., 2020.

Entendimento estratégico da organização Bridge & Co

1 - Entendimento Estratégico da Organização

Primeiramente foi verificado se houve atualização da visão estratégica da organização, entendendo qual o papel deve ser desempenhado pela TI no novo cenário.

Realinhamento estratégico

2 - Realinhamento Estratégico

Com base na identificação da nova visão estratégica da organização, realizou-se o desdobramento estratégico e construção do Balanced Scorecard (BSC) da área de TI. Para a definição dos objetivos estratégicos da TI, foram consideradas as seguintes questões:

Bridge & Co_Insumos para o Realinhamento Estratégico

Fonte: Bridge & Co., 2020.

Em seguida, foram identificados os processos críticos de Governança e Gestão de TI. Para isso, utilizamos e recomendamos o framework COBIT®.

Atualização da Baseline da TI

3 - Atualização da Baseline de TI

Nessa etapa realizou-se um diagnóstico completo da TI, identificando o estado atual de elementos como organograma, infraestrutura, arquitetura de sistemas, habilidades e competências, nível de maturidade de processos críticos, métricas existentes, entre outros. A seguir apresentamos alguns questionamentos importantes a serem respondidos nesta etapa:

Bridge & Co_Estrutura Interna da TI

Fonte: Bridge & Co., 2020.

Visão de futuro da TI

4 - Visão de Futuro da TI

Por fim, com os objetivos priorizados, baseados na visão de futuro do negócio e no diagnóstico atual completo da TI, foram definidos processos e métodos de seleção de investimentos que serão executados no Plano Diretor de TI.

Destacamos que, em todo esse processo, um dos pontos mais importantes a ser revisado é o Orçamento de TI a fim de que não deixe de estar alinhado à realidade financeira da organização e possibilite que iniciativas digitais sejam priorizadas ou continuem em andamento. Segundo estudo da IDC (2020), devido à pandemia, o setor de TI na América Latina poderá perder US$ 15 bilhões em 2020 e os efeitos no Brasil devem se estender até 2021.

A revisão da estratégia e a adequação do orçamento às novas demandas, com foco numa evolução estruturada, são parte do caminho para as organizações enfrentarem o novo cenário vivenciado.

Recomendamos que a transformação digital seja pautada nos pilares de tecnologia, processos, pessoas e cultura organizacional. Dessa forma, será possível um posicionamento estratégico da área de TI alinhado aos objetivos de negócio por meio da conciliação de recursos e competências.

Veja também:

Como elaborar um Planejamento Estratégico de TI (PETI): Primeiros passos

Como elaborar um Planejamento Estratégico Ágil?

Soluções em Planejamento e Estratégia Digital

Quer saber mais como a Bridge & Co. pode ajudar sua empresa a realizar uma revisão do PETI e se adequar ao cenário de aceleração da transformação digital? Entre em contato conosco através do contato@bridgeconsulting.com.br.

Vitor-Suzarte
Vitor Suzarte é Líder de Projeto da Bridge & Co. Possui formação em Engenharia de Produção pelo CEFET e MBA em Gerenciamento de Projetos pelo IBMEC. É certificado em Agile Scrum Foundation e COBIT 2019. Atualmente, gerencia equipes com foco em gestão de projetos e governança de TI, planejamento estratégico de TI, melhoria em processos e business intelligence em clientes do setor privado.
Raquel-Mattos consultora bridge & Co

Raquel Matos é consultora da Bridge & Co. Possui formação em Engenharia de Produção pela UFJF, certificação HCMBOK to Agile, além de cursar MBA em Gestão de Processos pelo IBMEC. Atua em projetos de planejamento estratégico, logística, qualidade e melhoria de processos em clientes do setor público e privado.