A era da abundância de informações traz para médias e grandes empresas o desafio de lidar com o alto volume de dados e a sua complexidade. Com o objetivo de organizar o uso, estabelecer o controle adequado e destacar a importância de se alcançar níveis satisfatórios de disponibilidade, integridade, qualidade e segurança desses dados, o tema Governança de Dados aparece como peça-chave para apoiar empresas a superar esse desafio.

No entanto, observa-se ainda um cenário de baixa adesão prática ao tema.  Segundo artigo da Harvard Business Review (2017), um estudo mostrou que apenas 3% das empresas entrevistadas atingiam níveis de qualidade satisfatórios na governança que realizavam sobre seus dados.

A boa notícia é que este cenário tende a melhorar ao longo dos próximos anos devido ao contínuo crescimento da demanda por dados confiáveis. Segundo pesquisa da Insight Avenue, realizada em 2018, o número de organizações que planejam projetos de Governança de Dados cresce 14% ao ano.

Como consultoria, identificamos determinados fatores como motivadores à adoção de um programa de Governança de Dados no cenário brasileiro. São eles:

  • A volumetria e escalabilidade dos dados potencializada pela crescente utilização de tecnologias, como IoT (internet of things), Big Data, Analytics e Inteligência Artificial;
  • Processos de tomadas de decisão cada vez mais conscientes e pautados em análises de dados robustas e sem suposição. Desta forma, a garantia da utilização de dados com alta qualidade mitiga os riscos de decisões equivocadas (evitando, inclusive, prejuízos financeiros);
  •  A democratização dos dados, com aumento da demanda por relatórios e análises em formato self-service por diferentes áreas de negócio. Assim, torna-se essencial prezar pela qualidade e entendimento comum dos dados na organização, além de oferecer uma arquitetura robusta para garantir, por exemplo, a interoperabilidade dos dados para que possam ser manuseados;
  • A necessidade de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como fator impulsionador do tema no meio corporativo nos últimos meses. A adoção de um programa de Governança de Dados também é considerada essencial para alcançar a conformidade aos requisitos regulatórios da lei.

Além dos motivadores apresentados, entendemos que sair da inércia e aplicar boas práticas de forma ampla também é um dos maiores desafios das empresas que desejam evoluir sua maturidade sobre o tema. Como primeiro passo, portanto, recomendamos que seja realizada uma análise do estado atual da organização com relação ao uso e gestão de dados e incentivamos nossos clientes a realizarem um assessment estruturado de Governança de Dados.

Há hoje no mercado frameworks referenciados para análise do estado atual da Governança de Dados, como o DAMA DMBoK (Data Management Body of Knowledge), o DMM (Data Management Maturity Model) e o COBIT 2019. Esses modelos apresentam, sob óticas diferentes, pilares comuns e fundamentais referentes aos temas de Qualidade, Segurança e Arquitetura de Dados.

Nosso serviço de assessment em Governança de Dados, por exemplo, baseia-se no framework DAMA DMBoK e estabelece a Governança de Dados como o componente central para o gerenciamento de dados, além de interligar outras dez áreas de conhecimento conforme ilustrado abaixo:

10 áreas Governança de dados

Fonte: Bridge & Co., 2020

Em cada um desses domínios específicos de dados, classificam-se as diversas práticas em níveis de maturidade e na capacidade de implementá-las. Assim, para cada área de conhecimento são definidos requisitos desejáveis e, por meio do assessment, observa-se com que capacidade a organização desenvolve cada um desses assuntos.

É importante destacar que, por ser um tema transversal à organização, Governança de Dados requer o envolvimento de diversas áreas de negócio. Garantir o engajamento de todos é fundamental para o sucesso do assessment e, consequentemente, para alavancar a maturidade do tema na empresa.

Visto isso, é fortemente sugerida, sendo inclusive uma etapa relevante do nosso serviço, a sensibilização dos envolvidos no ciclo de vida dos dados da empresa através de workshops ou apresentações, por exemplo.

Em seguida, é necessário entender a estratégia da empresa e entrevistar as áreas de negócio envolvidas em cada tema para avaliar cada requisito. Após coletar todas as informações e documentos necessários, caminhamos para a avaliação final que resultará na classificação da maturidade, na identificação de oportunidades de melhoria e na concepção de um plano de ação estratégico em dados.

De forma ilustrativa, o fluxo de atividades estrutura-se da seguinte forma:

Fluxo-governança-de-dados

Fonte: Bridge & Co., 2020

Como visto, da criação ao expurgo e da arquitetura à qualidade, a Governança de Dados engloba todos os aspectos e fases do ciclo de vida dos dados. Por mais distante de um conceito otimizado de governança que uma empresa possa estar, ela possui seus próprios mecanismos de controle vigentes. Por isso, o trabalho de assessment mostra-se como um primeiro passo importante dentro da jornada de melhoria do controle de dados, pois permite identificar os problemas, entender os desafios e traçar soluções para melhoria contínua desses mecanismos.

Compreendida inicialmente como um “nice to have”, a Governança de Dados se tornou um componente-chave para a transformação digital das organizações. Em tempos de incerteza, o tema traz esclarecimento sobre informações corporativas, além de permitir o uso dos dados como vantagem competitiva no mercado, colocando-os no patamar de ativo estratégico da organização.

Realizar o assessment é apenas o primeiro passo para alavancar a maturidade do tema e adotar um olhar mais cuidadoso em direção aos seus potenciais problemas com dados. A Bridge & Co. pode auxiliar sua organização a conduzir essa jornada. Entre em contato e agende uma conversa com nossos especialistas: contato@bridgeconsulting.com.br.

Luiz Telles
Luiz Eduardo Telles é Account Manager e Associado da Bridge & Co., possui formação em Engenharia de Produção pelo CEFET/RJ e certificações COBIT®, ITIL®, Scrum e CBPP, além de cursar MBA BI Master pela PUC/RJ. Atualmente, é responsável por gerenciar grandes contas de empresas públicas e privadas com foco em Gestão de Processos de Negócio, Governança e Gestão de TI e Inteligência de Negócios & Analytics.
Guilherme
Guilherme Castro é Data Analyst da Bridge & Co. certificado em Análise e Visualização de Dados pela Microsoft. Atua em projetos de tecnologia voltados para Business Analytics e Intelligence. Além disso, possui experiência em projetos de Governança de Dados, Gestão de Projetos e Processos de Negócio.